26.11.06

Recordações de Vizela-António Figueirinhas-Porto 1901



O EDIFÍCIO DOS BANHOS

"Foi só passado dois dias que eu me resolvi a visitar o edifício dos banhos, como quem apela para uma verdadeira diversão no meio de impressões tão doloridas.
O edifício dos banhos de Vizela é deveras monumental pela sua extensão, pelas comodidades que os banhistas encontram por toda a parte e muito pelo excelente director o sr. dr. Abílio Torres, homem de estatura meã, magro e vivo, que cativa todos que com ele tratam, porque desde logo admiram naquele primo­roso cavalheiro a mais fidalga educação e um verdadeiro talento profissional. Ê um bom na acepção mais lata do termo. O seu nome nunca será esquecido em Vizela porque vive no coração de todos. Os pobres adoram-no.
Percorrendo o vasto corredor que por assim dizer divide o edifício em duas partes completamente iguais, eu não sabia que mais admirar, se a profusão de todos os aprestes indispensáveis, se a divisão perfeita e cómoda dos compartimentos, se o poder das máquinas, a perfeição e solidez das canalizações e além disto um pessoal inteligente, urbano, tratável sempre, e sempre desin­teressado.
É forçoso confessar que no meio das muitas tristezas, se em parte não eram decepções, me fez bem pensar na existência de pessoas tão bondosas como diligentes, muito cônscias dos seus deveres, sem o menor abuso ou a menor irregularidade a man­char-lhes o irrepreensível método de trabalho, que não poucas vezes em casas similares vale quase tanto para os enfermos como a benéfica influência das águas.
O edifício dos banhos tem em volta de si um vasto largo arbo­rizado onde eu vim respirar depois da travessia por todas aquelas divisões e instalações e, nesse largo, encostado a uma velha árvore frondente, ainda nos ouvidos as palavras cariciosas e afectuosas do ilustre director mais assentei em que nem tudo no mundo é mau, em que nem sempre a vida é uma série de encruzilhadas sinistras onde só nos aparecem monstros e espectros, finalmente em que através da nuvem de lágrimas que por vezes ensombram a felicidade da terra, se não fulge o sol dum júbilo absoluto, cin­tila docemente o luar duma consolação gostosa e benéfica".

18.11.06

Recordações de Vizela - António Figueirinhas - Porto 1901


A Ilha dos Amores (Fim)

Procuraram, por muito tempo, a princesa, mas debalde, e já o príncipe dava mostras de completo desespero, quando o anão, sorrindo, observou:
— Só eu a posso descobrir, e contudo, nunca a vi.
— Tu?
— Uma preciosidade dessas não vive em casa, como nós. Há-de viver em algum ignorado paraíso, onde espera um homem que seja bem digno do seu amor.
— És tolo...
— Pois sim. Mas siga-me.
Então o anão subiu às alturas de Barrosas e pôs-se a examinar bem o horizonte.
Momentos depois, exclamou:
— Já sei!
E apontava com o dedo, comovidamente.
— Já sei; é ali, na Ilha dos Amores. Em parte nenhuma, como naquele sítio, a verdura tem uns tons de doce brilho e frescura. É ali. Parece que a oiço falar, ou antes, cantar, como irmã das espumas e das flores, que ela deve de ser.
E desceu, seguido pelo príncipe.
Efectivamente, a princesa lá estava na Ilha dos Amores, pen­teando os seus cabelos d'oiro e cantando tão bem, que a sua voz se confundia com a dos rouxinóis.
E, apenas os avistou, levantou-se vivamente, e com grande alegria, bradou:
— Obrigada, príncipe, obrigada!
Julgou o estrangeiro que o festejava pela sua visita e, assim, renovada a sua vaidade, curvou-se para ela muito desvanecido, mas a bela menina, os olhos muito brilhantes, tomou a mão direita do anão e exclamou:
— Obrigada, príncipe, por me trazeres este belo mancebo!
— Como?! rugiu o príncipe, furioso. Chamais belo a este monstro?!
— Belo, encantador, divinal! Veja que grande alma se não lê nestas feições! Que modéstia natural! Que coração delicado e puro!
E a formosa princesa atraiu para si, com transporte, o anão e beijou-o na fronte, com entusiasmo.
O anão estava enleiado e confuso, mal podendo fitá-la, e o príncipe, então, começou a chorar de desespero.
Mas a princesa tantos beijos deu na fronte do pobre anão, que este de repente, cresceu; as faces desenrugaram-se e branquearam; os olhos ganharam uma cor bela e doce; a boca, fez-se graciosa e pura; e uma formosura enorme, finalmente, substituiu, de súbito, tanta miserável hediondez.
Assim formoso, porém, a sua modéstia natural era o que nele continuava a brilhar mais, pelo que a princesa exclamou, trans­portada de alegria:
— Hás-de ser tu o meu esposo!
O príncipe estrangeiro então levou de repente, a mão à espada e, num gesto furioso, fez o sinal de matar o seu rival.
Suplicava-lhe ela que o poupasse, mas ele, cada vez mais cego de furor, não atendeu e levantou a espada à altura da cabeça, despedindo um grande golpe.
— Ai! príncipe!
Este queixume, que foi muito dolorido, soltava-o ela, porque a espada do desesperado fendera, ao mesmo tempo que o anão, a graciosa cabeça da linda menina, e o assassino viu, com espanto, que as suas vítimas ficaram enlaçadas, e, começando a reparar mais, viu ainda que estavam convertidas em plantas.
Veja, meu senhor. São estas duas árvores a que me encosto. Não vê bem esta, forte, grossa, cheia de flores e folhas, enlaçada por esta mais fina, que sobe pela outra acima, muito delicada e perfumada?


Pois a árvore mais forte dizem que é o anão, e esta, muito bonita e voluptuosa, a cingir o tronco da companheira, dizem que é a linda princesinha.
Estas árvores também definham, mas logo aparecem na pompa
das folhas e das flores. Os passarinhos fazem aqui os seus ninhos e cantam muito e muito. Agora, o príncipe estrangeiro...
— Morreu de remorsos? perguntei eu, deveras interessado.
— É essa pedra, cheia de musgo, em que o senhor está sentado. Apenas viu os dois, em mudança tão grande, fez-se pedra e ali está defronte das duas árvores, cheia de musgo, fria, como uma coisa desprezível e calada.

17.11.06

Recordações de Vizela - António Figueirinhas - Porto 1901

A ILHA DOS AMORES

(…) Conhece a Ilha dos Amores, aqui de Vizela?

A Ilha dos Amores é uma das preciosidades mais deliciosas de Vizela.
Ali nota-se a frescura encantadora, em verdes matizes de eterno veludo suave, que parece constantemente orvalhado pelos aljofres mais cintilantes. Fica na baliza do rio navegável, como um braço fantástico à tona de espumas divinas.
Por ali a vegetação é luxuriante e vetusta, tão alto se elevam as copas daquelas árvores alterosas e opulentas, coroadas de miría­des de flores e folhas variegadas, as raízes tenacíssimas e perfurantes, parecendo suster o solo, com os seus mil braços entrecruzados, à tona das águas deslizantes e cantantes.
As sombras daquela pequena floresta sagrada, onde há surpre­sas duma delicadeza subtil, têm caprichos que lembram bosquejos de sonhos muito doces, muito íntimos, cortados de paixões sere­nas e sadias, de emoções vivas, puras, aromáticas, das que vêm do coração à procura de muitos corações generosos.
E, para que nada falte à Ilha dos Amores, lendas adoráveis e na sua maior parte alentadoras, coroam o belo recinto duma carícia meiga e doce.
Uma delas, porém, é triste como os visos da serra que adiante se desenrola, quando despida dos seus floridos atavios.
Contou-ma uma pobre mulher que encontrei na mesma Ilha dos Amores, acocorada ao pé duma árvore gigantesca, na face estampada uma melancolia sugestiva.

«Há de haver cem ou duzentos anos — quem sabe lá bem ao certo? — viveu aqui uma menina muito linda, que era filha, se­gundo diziam, filha bastarda, já se vê, dum rei de Portugal.
Dizem que tinha uns olhos tão lindos, tão lindos, que quem a olhasse uma vez, ficava logo escravo da princesinha. Quando sol­tava os cabelos sobre os ombros, o sol fazia-os brilhar tanto, que cegavam. Quando se lhe ouvia a voz, todos tinham vontade de chorar.
— De chorar?
— Porque ficavam bem certos de que não tinham merecimen­tos para agradar a tão bonito rouxinol.
Essa menina, porém, passava entre o povo por ser feiticeira. Até se dizia que já tinha encantado muitas pessoas, convertendo-as em flores, e rios e não sei se estrelas. Coisas do povo, já se vê: mas era o que corria para aí, por toda a gente.
Ora um dia, veio aqui um príncipe estrangeiro, muito lindo e viu-a e amou-a logo. Procurou-a para lhe falar e ela recebeu-o, com agrado, mas, apenas ele lhe disse o muito que a adorava, pôs-se a rir, como uma perdida.
— A princesa ri? estranhou o príncipe.
— Rio. É que o príncipe julga-se muito bonito e é feio como os pecados.
— Eu? murmurou ele despeitado.
— O príncipe é um sapo.
Não gostou o mancebo daquela brincadeira de mau gosto e fez sinal de se retirar.
Ela, porém, deteve-o e disse-lhe tristemente:
— Vê como acertei! Não me convinha para esposo um homem que tem vaidade tão excessiva. Que maior fealdade do que o dema­siado amor próprio?
Meu príncipe: a beleza da alma é a única que tem valor.
E despediu-o, com certo desdém.

Por esse tempo vivia em Guimarães um anão muito feio, de olhos estoirados, boca larga e delgada, e cabeça disforme, cheia de cabelos raros e duros.
Andava o príncipe estrangeiro muito desconsolado pêlos arra­baldes de Guimarães, quando a figura do anão se lhe defrontou...
Riu-se o belo príncipe daquela figura exótica, mas o pigmeu, saudando-o, disse-lhe:
— Deus o salve, senhor príncipe. Que pena ser tão feio!
— És então bonito tu? respondeu o belo moço com duro sarcasmo
— Oh! muito mais belo, porque não tenho orgulho no coração. Sei que sou hediondo e resigno-me com a minha sorte e conten­to-me com o destino que Deus me deu.
— Olha lá — disse o príncipe — conheces uma linda princesa que vive em Vizela?
— Tenho ouvido falar.
— Pois anda daí comigo.
Obedeceu o anão imediatamente. Caminharam, por muito tempo, sem dizerem palavra, até que à entrada de Vizela, o pobre anão perguntou:
— Que vou eu fazer à presença de tal formosura? Ë para vos rirdes de mim?
— Anda daí, respondeu o príncipe secamente. (continua)

13.11.06

Nomes prá história

Dr. JOSÉ PEREIRA REIS


O doutor José Pereira Reis, falecido em 1887, foi lente ilustre da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, publicista distinto e clínico abalizado.
A sua clientela era constituída pelas melhores famílias do Porto, que muito o apreciavam, não só pelo seu saber, como pelas suas maneiras afá­veis, pelo seu bom humor e pela sua graça genui­namente portuguesa.
De aspecto ordinariamente fleumático, só se entusiasmava, a bem dizer, quando lhe era dado proclamar as excelências das águas de Vizela.
Então, era velo falar alto, gesticular, para melhor acentuar o significado das suas afirmações laudatórias.
Todos sabiam que para o doutor José Pereira Reis, as águas de Vizela curavam as mais diver­sas enfermidades.
A ele alude Pedro Ivo, num gracioso conto, com o título «A Mosca», publicado em «O Comércio do Porto», em 1874.

Lê-se nessa obra literária o seguinte trecho:
«Bom médico e boa pessoa... um pouco absoluto em certas coisas como medico... Por exemplo, nos artigos dieta e Vizela, intolerante. A gente da terra ainda nem sequer pensou no que lhe deve. Só ele, à sua parte, tem feito ir a Vizela mais gente do que todos os outros médicos reuni­dos. Vizela é a sua ideia fixa, o seu amor e quase se pode dizer a sua filha, pois, se ela mais não tem medrado, não é por culpa dele... E ele tem razão... Quem cá vem nunca se arrepende».

Sobejos motivos tem, pois, Vizela para ser grata à memória do Dr. José Pereira Reis.
Inscreveu-lhe o nome numa das suas ruas. Cumpriu, simplesmente, um dever.
Vizela tem tido grandes e dedicados amigos. O Dr. Pereira Reis foi, sem dúvida, dos maiores.

Janeiro, 1929.
Bento Carqueja
Professor da Universidade do Porto.

Em 1881 formou-se uma comissão médica, que teve o Dr. José Pereira Reis, como presidente, a fim de aconselhar a direcção da Companhia de Banhos de Vizela em tudo que dissesse respeito à organização do serviço médico.

Como vimos já, o Dr. Pereira Reis, foi uma figura importante na história de Vizela e pena é que a moradia onde viveu esteja em ruína eminente, como se pode ver na foto.



5.11.06

Nomes prá história

José Joaquim da Silva Pereira Caldas

Nascido na freguesia de S. Miguel a 26 de Janeiro de 1918, José Joaquim da Silva Pereira Caldas, filho de António Pereira da Silva e de Maria José Alvares, foi provavelmente um dos maiores filhos de Vizela, do Século XIX.
Deixou-nos um longo e valioso acervo bibliográfico (que pode ser consultado na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães), profusamente descrito no Dicionário Bibliográfico de Innocencio Francisco da Silva, além da sua completa e extensa biografia, sendo de ressalvar as seguintes obras: Bosquejo noticioso sobre Caminhos de Ferro. Vila Verde, 1898; Carta etymologica ao Distincto Jornalista Democrata João Chagas. Braga, 1891; Cartas do Professar Pereira Caldas do Lyceu Nacional Bracarense ao antigo discípulo mathematico Candido de Figueiredo. Braga, 1874; Culto das águas. Braga, 1881; Datas romanas e datas vulgares. Braga, 1886; Exposição crítica do processo do julgamento de Jesus Christo. Braga, 1855; Felicitação pelas Victorias Pátrias Africanas. Braga, 1896; Homenagem a Camões. Braga, 1883; Homenagens Centonicas em versas de Camões. Braga, 1884; Indiculo genérico das virtudes curativos das aguas sulphurosas das Caldas de Visella. Braga, 1854; No centenário do Marquez de Pombal. Braga, 1882; Noções therapeuticas sabre o uso e abuso das aguas sulphurosas. Porto, 1852; Notícia Archeológica das Caldas de Vizela. Guimarães, 1852; Noticia Archealogica das Caldas de Visella. Braga, 1853; Noticia topographica das Caldas das Taipas. Braga, 1854; Numisma Celtiberico. Braga, 1901. Proposta justificada para novos compêndios no curso mathematico na Liceu de Braga. Braga, 1890; Tábuas simplíssimas de Logarithmos. Braga, 1855. Uma inscripção romana de Caria de Lamego. Braga, 1883: Versão interlinear da Historia Romana. Braga, 1853; Versão latina do Soneto de Camões — Alma minha gentil, que te par­tiste. Braga, 1890; Vindicação da prioridade do fabrico de papel com massa de madeira. Braga, 1867. Esta última obra surge como, resposta à pretensão de alemães e franceses chamarem a si a glória do invento da fabricação de papel partir de pasta vegetal., que como já foi dito num outro artigo, este é um invento de que Vizela se pode orgulhosamente ufanar.

José Joaquim Pereira Caldas era íntimo de Francisco Martins Sarmento e são inúmeras as cartas trocando ideias, solicitando conselhos e dando alvitres, sobre os mais variados assuntos, que os dois arqueólogos trocaram entre si.

Foi um distinto professor de matemática, filosofia e medicina, tendo sido sócio honorário de diversas instituições e academias, sendo sócio correspondente em muitas outras academias.

31.10.06

Nomes prá história




Prof. Francisco Armindo Pereira da Costa

O professor Francisco Armindo Pereira da Costa foi um homem que sempre se dedicou à sua terra, de alma e coração.
Nasceu no dia 15 de Março de 1906 e faleceu a 3 de Outubro de 1982 e era filho do professor, Domin­gos da Costa e de D. Idalina Pereira da Costa, também professora primária.
O seu real talento nunca foi apro­veitado, muito devido aos seus ideais políticos. Era homem de «antes quebrar que torcer» e jamais aceita­ria, fosse o que fosse, para trair os seus ideais, mesmo com prejuízo da sua vida social, pois sempre optou por renunciar ao que lhe queimava as mãos e, até a ajuda dos seus amigos nos momentos difíceis.

Foi ensaiador, actor e criador, de fabulosas peças teatrais que eram apresentadas no antigo Cine Parque, em Salões Paroquiais e até na Casa do povo, criando um grupo Cénico de prestígio.
Mas a sua grande luta e o seu maior empenho era trazer à luz do dia a história da sua terra natal, desde a época anterior à romanização até aos dias de hoje, dedicando-se afincadamente, à pesquisa de vestígios arqueológicos, que não foram devidamente acautelados pela então Câmara de Guimarães, a exemplo daquilo que, anos mais tarde, foi feito na Praça da Republica, com muitos dos azulejos que atestam a presença romana na nossa terra…

A ele se deve a descoberta da Cista de S. Bento, sepultura celtibérica que se encontra na montanha sagrada de S. Bento a que, erradamente, se atribui origem romana…
Foi fundador do Notícias de Vizela, jornal do qual foi durante muito tempo o seu único redactor.

Publicou a sua obra-prima (1965) “Ad. Perpetuam”, utilizando o seu pseudónimo de sempre: Júlio Damas, obra importante na história e para a história de Vizela (era necessário fazer uma nova edição desta obra, pelo seu valor histórico…), “Vizela, Tagilde e S. Gonçalo”, (1970) obra importante para conhecermos a história do santo casamenteiro. Publicou ainda “O filho do Bombeiro”, “Poesias de Bráulio Caldas”. A morte não o deixou terminar duas das obras que tinha em preparação: uma biografia sobre o Abade de Tagilde e “Tarásia”, uma novela medieval.

30.10.06

Nomes prá história

António Alves Teixeira, O Vizela

“Um outro artista, com menor representação, infinitamente mais humilde, duma encantadora simpli­cidade, mas possuidor de reais condições para vir a ser um invulgar pintor chamava-se António Alves Teixeira, que pouco depois de ter entrado na antiga Academia Portuense de Belas-Artes e não demorar em ser notado por mestres e condiscípulos, recebeu o cognome de Vizela por justamente ser esta a terra da sua natura­lidade. Dizem os seus raros biógrafos que o moço vizelense viera para o Porto em 1854 iniciar os seus estudos de pintura. Embora aos sete anos de idade (!) tivesse dado mostras de natural e invulgar disposição para as artes, esculpindo em ardósia uma ingénua e delicada figurinha, a verdade é que só aos dezoito deu início aos seus aturados estudos na citada Academia Portuense.


A propósito deste artista, es­creveu Manuel Maria Rodrigues - outro minhoto a quem a crítica de arte não poucos serviços ficou de­vendo - as palavras que passo a transcrever do último fascículo da excelente revista «Arte Portuguesa», que em 1882, sob a égide do genial Soares dos Reis e Joaquim de Vasconcelos, teve a colaboração dos nos­sos melhores artistas e escritores:
«António Alves Teixeira, mais conhecido pelo apelido Vizela, nascera em 3 de Junho de 1836 na freguesia de S. Miguel das Caldas de Vizela, sendo filho de Domingos Alves Teixeira, artífice laborioso, e de Maria Pereira. As suas tendências para as belas-artes manifestaram-se em tenra idade, tendo apenas sete anos quando esculpiu em lousa uma pe­quena imagem. Apesar de tão felizes disposições, seus pais desejavam que ele fosse para o Brasil, e nesse intento tinham-lhe conseguido passagem em um navio que saia do Porto, quando se lhe deparou aqui um artista, que adivinhando-lhe a vocação, o levou con­sigo para Lisboa. Passado tempo, porém, o pequeno artista viu-se obrigado a regressar a casa de seus pais, e estes, convencendo-se afinal de que a melhor carreira que ele podia seguir era a das belas-artes, obtiveram-lhe agasalho nesta cidade para poder frequentar a Academia, onde se matriculou em 1854, sendo sempre o primeiro do seu curso, apesar da falta de recursos pecuniários o obrigarem a prolongar as férias indefi­nidamente, a fim de obter os meios de subsistência por meio de trabalhos que fazia de mera curiosidade, como imagens de madeira, pintura das mesmas, douramentos, etc.».
Mais adiante refere ainda o crítico: «Concluído o curso de pintura, o artista regressou à terra do seu berço onde casou, sendo assaltado no meio de uma vida quase de penúria, pela doença que o matou e que já se havia pronunciado ainda quando estudante. Os seus antigos condiscípulos, sabendo as priva­ções com que lutava, agravadas pela dolorosa enfer­midade que padecia, promoveram-lhe uma subscrição mensal aconselhando-o ao mesmo tempo a que viesse ao Porto para consultar os médicos. Infelizmente os seus sofrimentos recrudesceram, até que no dia 2 de Agosto de 1863 a morte pôs termo aos seus dias e às suas desventuras».


O jovem e enfermo Artista havia apenas dado os primeiros passos na sua auspiciosa carreira, e estes, em vários aspectos, já de certo modo nos asseguravam o valor temperamental de quem tão expressivamente se iniciava. O Pintor mal teve tempo de iniciar uma obra que, pela sua estrutural originalidade, conquis­taria invulgar posição no meio artístico português. Mas a morte, sempre pérfida e inexorável, não per­mitiu que um tão belo temperamento chegasse a completar-se de forma absoluta. Foi uma luz que se extinguiu ao despontar dum admirável e prometedor alvorecer e a Arte Nacional perdeu uma das suas mais nítidas e valiosas espe­ranças.


Com os meus agradecimentos ao Arnaldo Macedo (www.amac70.blogspot.com/ ) por ter transformado uma simples fotocópia num retrato belíssimo do nosso antepassado. Um abraço amigo

29.10.06

A Furna de Lujó

Santa Maria de Infias
A Furna dos Mouros


A Furna de Lujó como lhe chamou Martins Sarmento, fica no Monte de Alijó, a poente da primitiva Igreja de Infias, muito pertinho da Capelinha de Santa Ana.
O imaginário dos povos está povoado de lendas e narrativas, em que mouras encantadas e aguerridos combatentes estreitam laços com populações locais e não raras vezes associadas a imensos e incalculáveis tesouros.
A nossa região está carregada dessas lendas que abundam um pouco por todo o lado, em que o pavor dos infernos está sempre de mãos dadas com o sobrenatural.

“O fiador principal da existência do misterioso povo por este sítio é a «Furna dos Mouros», já hoje conhecida dos arqueólogos por um escrito do nosso amigo, o pro­fessor Pereira Caldas. Tem quatro palmos de largo, o dobro de alto, uns doze de extensão e está aberta no plano vertical dum enorme penedo (que se diria cortado à serra de alto a baixo!) e para uma das suas extremidades. Ë fácil porém de ver que a mão do homem pouco tem a ver com aquilo. Se compararmos a furna com uma porta, seremos bem entendidos, dizendo que a ombreira esquerda apresenta na parte superior uma larga fenda bruta, que a separa do corpo do penedo e é fácil de conhecer então como a furna foi produzida. A mesma convulsão da natureza, que pôde desagregar o que chamamos ombreira, reduziu a maiores ou meno­res estilhaços a parte da rocha, onde hoje vemos a porta, e o homem não fez mais do que extrair os estilhaços, adaptando aquele abrigo a um uso qualquer. Isto, já se vê, na hipótese de que a «Furna dos Mouros» tenha sido utilizada pelo homem. Para o acreditar, não temos outra garantia senão a lenda popular e não é ela das mais próprias a catequizar os incrédulos. A Furna, diz a crença do povo, era a entrada para uma mina subterrânea, que levava a um pequeno ribeiro do vale. Imagina-se que riquezas por ali haverão. Por isso os sonhadores de tesouros vêm periodicamente revolver a terra, que se tem acumulado no pavimento da furna. O alvião (utensílio rural) não deve tardar a encontrar rocha dura; mas os crendeiros (os que acreditam) nem assim perdem a ilusão; levam apenas o desengano de que não tiveram a fortuna de encontrar a comunicação com o subterrâneo, que lá está por baixo.
Temos por certo que a Furna dos Mouros era uma sepultura da mesma espécie e que ela forneceu também algumas antigualhas, cujo préstimo se não percebeu, deixando aos comentadores ampla liberdade para atribuir ao esconderijo a serventia, que melhor lhes pareceu.(…)”

In – A Furna de Lujó – Dr. Francisco Martins Sarmento
PS. Sem pedir autorização e sem aviso prévio, um vírus (que não da Gripe das Aves) entrou na minha máquina e lentamente começou a deglutir as suas entranhas. Por pouco chegava ao coração...
Com o meu pedido de desculpas e um abraço aos meus fieis visitantes
Júlio César

22.10.06

Nomes prá história

Dr. Bráulio Caldas

Bráulio Lauro Pereira da Silva Caldas, era filho de António Pereira da Silva Caldas, Professor Primário, e de Francisca Emília Pereira da Silva Cunha.
Nasceu na freguesia de S. Miguel das Caldas de Vizela, em 28 de Março de 1861 e faleceu na mesma freguesia a 17 de Outubro de 1905. Fez os seus estudos liceais em Braga, onde, mais tarde, depois de formado, foi professor no Liceu.
Formou-se em Direito e Teologia na Universidade de Coim­bra, em 1889. Foi advogado distintíssimo, orador fluente e eloquente, poeta admirável, dum lirismo encantador, republicano sincero e leal, bairrista indefectível que tanto amou a sua Terra. Honrou a sua terra com o seu saber, a sua brilhante inteligência e o seu coração de oiro.
Exerceu a advocacia em várias comarcas como Guimarães, Braga, Póvoa de Lanhoso, Santo Tirso, Paços de Ferreira, etc.
Fundou e dirigiu o jornal independente «O Vizelense» de que só tirou 6 números.
O jurisconsulto distingue-se pelo seu talento, o poeta
brilhou pelo seu génio, mas o homem comoveu-nos pêlos primores do seu coração afectuoso.

A propósito de uma grande discussão em certo tribunal em que o Dr. Bráulio e o célebre jurisconsulto Dr. Afonso Costa eram antagonistas, em certa altura o Dr. Afonso Costa disparou-lhe:

— V. Ex.ª, Senhor Dr. Bráulio Caldas, dá uma no cravo e outra na ferradura !

Bráulio Caldas rapidamente respondeu-lhe serenamente:
Tem razão V. Exa., Senhor Dr. Afonso Costa. E sabe qual é a razão? — É que V. Ex.ª não está quieto com o pé!...

Transcrevemos duas quadras escritas por Bráulio Caldas e que se encontravam no seu livro inédito «Estudantinas d'0uturora» que, infelizmente, o poeta não chegou a publicar.

Foge lua envergonhada
Retira-te lá dos céus.
Que os olhos da minha amada
Tem mais brilho do que os teus

Se tu és tão adorada.
Se tu és assim tão bela,
É porque foste formada
Do brilho dos olhos dela.

19.10.06

Nomes prà história

Dr. Abílio da Costa Torres






Abílio da Costa Torres, nasceu a 13 de Maio de 1846, em Barrosas, filho de Joaquim da Costa Torres e de cândida Augusta Ferreira de Miranda.
Depois de fazer os primeiros estudos em Braga, rumou até Coimbra, onde cursou medicina, tendo-se formado em 30 de Julho de 1876.

Terminado o curso universitário, estabeleceu residência em Vizela, tendo desde logo participado activamente em várias organizações de índole social, sendo sócio instalador daquela que viria a ser a Real Associação Humanitária dos Bombeiros de Vizela. Foi ainda fundador de uma Banda Filarmónica, que mais tarde iria actuar na cerimónia do chegado do primeiro comboio a Vizela, no dia 31 de Dezembro de 1883.

Foi ainda membro da Comissão Recenseadora de Guimarães, Director Técnico do Estabelecimento Termal e Hidroterapeutico.
Escreveu “As águas sulfurosas de Vizela, estatística médica do estabelecimento termal e hidroterápico de Vizela”, tendo consultório médico no edifício de família, local onde se encontram hoje, os Serviços Locais da Segurança Social.











16.10.06

Partilhar - Hospital de Vizela (Fim)

Estas e outras dúvidas, levou a Misericórdia de Guimarães, a consultar vários famosos advogados, estes em 1882 e a Associação de Advogados de Lisboa, em 1884.
Como em tudo...cada cabeça sua sentença, os advogados solicitados e a própria Associação, deram pareceres diferentes, embora os pareceres dos Drs. Bento Cardoso e Avelino Guimarães mais se ajustassem à ideia do testador que, recordamos, “fundar uma casa de caridade ou misericórdia, nas Caldas de Vizela, a qual deveria ter em vista, de preferência, os pobres necessitados da minha freguesia de Moreira de Cónegos”.
Finalmente e depois de anos de hesitações, consultas e pareceres, a Misericórdia de Guimarães, pressionada por muitos vizelenses ilustres, optou pela construção, em Vizela, dum hospital geral, passando a preocupar-se com a escolha de um local adequado para um estabelecimento desta natureza.

Nomeou para o efeito 3 comissões sendo a ultima a dar conta do “recado” e assim, no dia 1 de Maio de 1888, o provedor informou a Mesa, ter já sido feita a escolha do terreno.
Com efeito, uma semana decorrida sobre a sua nomeação, a comissão (3ª), salientava que a sua escolha recaíra no único lugar que lhe pareceu “ reunir todos os requisitos necessários, de higiene, de economia, de situação e comodidade” ou seja o local denominado O Outeiro, situado na linha de demarcação das freguesias de S. João das Caldas, S. Miguel das Caldas e S. Paio de Moreira de Cónegos.
Dizia a comissão: “ o terreno, como convém a edificações desta índole, é moderadamente elevado em relação à bacia em que assenta a população, aberto a todos os ventos, sem contudo ser demasiado exposto, é seco, com subsolo sílico – argiloso, perfeitamente permeável, moderadamente quente, podendo ser fácil e abundantemente provido de agua potável, (...) a situação do terreno, é incontestavelmente a mais bela que possui esta povoação (...) as vantagens, pois, que este local oferece debaixo de todos os pontos de vista que se considere, são de tal ordem e tão evidentes, que o impõem a todos que o observem”.

E tinha razão a comissão, pois se olharmos, à distância de mais de 100 anos, temos de reconhecer, que o parecer não foi exagerado, porque o local, alcandorado em situação tão privilegiada, ainda hoje nos deslumbra com a contemplação de um surpreendente e alargado panorama

12.10.06

Partilhar - Hospital de Vizela (IV)

(...) Foi assim, que a notícia do seu falecimento chegou a Portugal e depressa, a Mesa da Santa Casa de Misericórdia de Guimarães tomou conhecimento, se atendermos que, na época, as comunicações se faziam exclusivamente por via marítima. Na sessão de 17 de Agosto de 1873 (um mês, portanto, após o falecimento de António Francisco Guimarães!) e, com base no conhecimento “extra-oficial” do falecimento e do legado, a Mesa da Misericórdia de Guimarães, logo resolveu oficializar a Misericórdia do Rio de Janeiro e de Campinas, pedindo informações e manifestando o desejo de que se pusessem de acordo “neste negócio, os seus comuns e recíprocos interesses (sic) ”
A terça que competiria ao legado feito à Misericórdia de Guimarães, depois de deduzidos os encargos que a oneravam e que foi transferida de Londres, era de 58.483$872 reis em moeda Portuguesa. (que andaria nos tempos que correm, à volta dos 2.500.000 de €uros)
Nunca pensaria, porem, o benemérito testador, que a sua “casa de caridade ou misericórdia”, teria de esperar cerca de 50 anos, para se tornar realidade. 50 anos ??? É verdade, assim aconteceu.
Os termos em que se expressou no seu testamento, acerca do legado para “se fundar uma casa de caridade ou misericórdia nas Caldas de Vizela”, suscitaram dúvidas de interpretação, que foram levantadas pela Misericórdia de Guimarães:
Como seria?
1º - A metade dos lucros para a Misericórdia de Guimarães, era só aqueles que esta agenciasse com a quantia que recebesse ou também com toda que capitalizasse?
2º - Em qualquer das hipóteses, a Misericórdia percebia sempre essa metade dos lucros ou só até à época em que fundasse o estabelecimento?
3º - Até quando deveria fazer-se a capitalização dos juros? Sempre ou até à fundação do estabelecimento?(...)

11.10.06

Partilhar - Hospital de Vizela (III
(...) Deixou 3.000$000 réis ao pároco de Moreira de Cónegos para constituir o dote de 12 donzelas pobres da sua terra natal, preferindo as parentas do testador; mais 2.000$000 réis ao mesmo pároco para distribuir pelos seus paroquianos mais pobres; dispôs ainda de outros legados e determinou o remanescente da sua terça para dividir em 3 partes, uma das quais seria entregue à Misericórdia de Guimarães, metade para ela e outra metade para, com o seu rendimento capitalizado, se estabelecer e manter nas Caldas de Vizela, uma casa de caridade ou Misericórdia, onde fossem tratados os enfermos pobres da vizinhança, sendo sempre preferidos os da sua terra natal – Moreira de Cónegos.
A Misericórdia de Guimarães liquidou 57.656$561 reis e a quantia recebida, com juros acumulados, montou a 77.971$478 reis.
Para cumprimento da vontade daquele benemérito cidadão, isto é – para a escolha do local onde devia ser fundado o hospital, a Santa Casa de Misericórdia de Guimarães, nomeou a 22 de Maio de 1883, uma comissão que, segundo consta, não apresentou trabalho algum.
Em 1888, foi nomeada outra comissão com o mesmo fim composta dos párocos de Moreira de Cónegos, S. Miguel e S. João das Caldas, alem do Dr. Abílio Torres e do farmacêutico, José de Freitas Oliveira, a qual se desempenhou do seu encargo, apresentou os seus trabalho à Misericórdia, indicando o sitio do Outeiro para a fundação do Hospital, por isso é de crer que, dentro em pouco se veja organizado tão santo instituto, legado pelo benemérito António Francisco Guimarães” (...)
(...) António Francisco Guimarães, “natural de S. Paio de Moreira de Cónegos, na província do Minho, reino de Portugal, filho legítimo de Manuel Fernandes Dias e de Maria Francisca, faleceu na cidade de Campinas, Brasil, em 16 de Julho de 1873” (...)

10.10.06

Partilhar - Hospital de Vizela (II)
(...) José Diogo Mascarenhas Neto, na Memória sobre as Antiguidades de Caldas de Vizela (1888) expõe a ideia “ da fundação de um hospital em Vizela, indicando com esta denominação apenas um pequeno estabelecimento termal, para os enfermos fazerem uso dos banhos.
Assim, nos princípios do século passado, (cerca de 1830) funcionou um albergue, fundado e mantido por uma comissão de vizelenses que para tão caridoso fim, agenciavam donativos.

Ali recolhiam e sustentavam, durante a estação balnear, enfermos pobres que necessitavam de banhos.

Em 1848, a Câmara de Guimarães, para explorar uns banhos no local onde estava esse “albergue” procedeu à demolição do dito, com a promessa de fundar, no mesmo local um outro, com condições mais condizentes com o fim a que se destinava”. O certo é que, até aquela data (1888) ainda não tinha cumprido a promessa. (sabemos hoje que nunca cumpriu).

E continua Mascarenhas Neto: “vai porem, Vizela, ter um bom hospital, graças a um cidadão benemérito que longe da pátria, não se esqueceu da miséria e da pobreza.
Aquele cidadão benemérito foi, António Francisco Guimarães, filho de Manuel Fernandes Dias e de Dª. Maria Francisca, natural de S. Paio de Moreira de Cónegos
Em tenra idade foi, como tantos patrícios nossos, para as terras de Santa Cruz, em demanda de fortuna; depois de longos anos de trabalho persistente e honrado, felizmente encontrou-a, mas aí perdeu a vida.
Faleceu a 16 de Julho de 1873, na cidade de Campinas, sendo ali sepultado no cemitério do Santíssimo Sacramento.
Viveu e morreu longe, muito longe da pátria, mas como bom patriota, jamais a esqueceu. Pelo contrário, amou-a sempre com filho extremoso até aos últimos dias da sua vida e no seu testamento, feito e aprovado em 4 de Agosto de 1868, a instituiu por herdeira de uma grande parte da sua fortuna (...)

9.10.06

Partilhando - Hospital de Vizela (I)

Mergulhar nas cinzas do passado, é trazer para o presente e legar para o futuro, as páginas mais importantes e significativas da história, seja da nossa família ou da nossa terra, para que a possamos melhor compreender, satisfazendo e ampliando, o nosso orgulho de filhos, naturais da terra que nos viu nascer ou nos nossos progenitores.
Tenho procurado trazer, ao longo das últimas postagens, alguns apontamentos da história de Vizela na convicção de contribuir para o enriquecimento cultural da nossa terra, convicto ainda que muito mais poderia ser feito se, quem de direito, desse alguns passos nesse sentido.
Para isso socorro-me de alguns legados que possuo e outros que vou adquirindo e muitos outros que me dado consultar aqui e ali, quer em bibliotecas e museus, quer em casas de particulares e amigos, além daquilo que vou aprendendo, no dia a dia, em conversas profícuas com anciãos, autenticas bibliotecas vivas, que dá prazer ouvir e registar. Mas, mesmo assim, recrimino-me e lamento-me por serem tão escassos e, por possuir tão pouco engenho e arte, para poder transmitir de uma forma mais clara, compreensível e precisa, algumas das mais belas páginas em que a nossa história é fértil.,
Tenho porém a esperança que, o muito pouco que me é permitido dizer, venha a ser útil e proveitoso para interessados, como eu, em conhecer os feitos dos nossos antepassados.É um tema, tão interessante, quanto inesgotável, pena é que, muita gente, com o mesmo engenho e arte, queira reservar, só para si, guardadas em baús empoeirados, muitas das páginas gloriosas da nossa história, relíquias que são, verdadeiros alicerces do nosso futuro. O saber, o conhecimento só é útil e proveitoso, quando partilhado e, tal como a natureza que nos rodeia, torna-se mais belo quando utilizado por todos, enriquecendo o dia a dia de cada um

8.10.06

"Tesouros de Vizela"


Estabelecimento Termal - 1954

Estabelecimento Termal - 2004

No dia 1 de Maio de 1876 deu-se início aos trabalhos de construção do Estabelecimento Termal de Vizela, no local denominado Bouça das Pedras, junto ao Rio Vizela. Alguns anos depois, em princípios do ano de 1881, organizou-se uma comissão médica sob a presidência do Dr. José Pereira Reis, para aconselhar a direcção então formada, em tudo que fosse necessário.
A abertura solene deste estabelecimento, deu-se a 8 de Maio de 1881, tendo sido benzido pelo Monsenhor Rebello de Meneses
.

7.10.06

"Tesouros de Vizela"

Paisagem do Rio Vizela - Ponte Romana - 1937

Paisagem do Rio Vizela - Ponte Romana - 2004

Paisagem do Rio Vizela, tomando com o ponto de vista, a Ponte Romana, com a Igreja de S João em fundo e o Chalet Willby ao alto, à esquerda.
Porque o Rio Vizela, ao tempo, era de águas límpidas e transparentes, convidando a uns refrescantes banhos, não se admire que fosse um dos motivos principais dos fotógrafos e pintores que, naquele tempo, escolhiam Vizela para as suas férias de verão.

5.10.06

"Tesouros de Vizela"

Rua Dr. Abílio Torres e entrada para o Parque das Termas - 1921


Rua Dr. Abílio Torres e entrada para o Parque das Termas - 2004

Parte da Rua Dr. Abílio Torres, quase no seu final, uma vez que esta termina no outro lado da Ponte D. Luís, sendo visível a entrada para o Parque das Termas antes do grande ciclone, nos anos 40, que como, verificamos ainda não era em semicírculo. Visível também ao fundo o chalé Villa Margarida e as ameias do “Castelo da Ponte”. Em primeiro plano, no lado esquerdo da foto, podemos ver a entrada para a Igreja de S. João.


Rua do Mourisco - 1922

Rua do Mourisco - 2004

Actual Rua Joaquim Freitas Ribeiro de Faria, é nesta rua que se encontram alguns dos mais belos palacetes construídos nos finais do Século XIX ( como se pode ver pelas datas que as enormes varandas em ferro forjado ostentam) e alguns outros, estes já construídos nos primeiros anos do século XX. É ainda nesta rua que se situa o imponente edifício conhecido como “Castelo da Ponte”, mandado construir pelo insigne médico vizelense, Dr. Armindo Freitas Ribeiro de Faria, edifício que iria ser para os “futuros Paços do Concelho

4.10.06

"Tesouros de Vizela"


Casino Peninsular - 1920

Casino Peninsular - 2004

No sentido Sul – Norte, neste trecho da Rua Dr. Abílio Torres, no lado esquerdo da foto,vemos um pormenor muito interessante do Casino Peninsular, muito frequentado e procurado nos tempos áureos do termalismo em Vizela.

Como se pode ver, o Casino Peninsular tinha somente um andar. O andar superior que agora se pode ver, foi provavelmente edificado após 1922, isto a ajuizar pelos azulejos que se vêm ao cimo, com a representação da Cruz de Cristo, exaltando a Viagem Aérea ao Brasil de Gago Coutinho e Sacadura Cabral


Rua dos Banhos - 1921

Rua das Termas - 2004

Hoje Rua das Termas, sempre esta rua esteve ligada ao facto de ali se situar o Estabelecimento Termal de Vizela.

É uma rua muito conhecida de todos os banhistas que frequentam Vizela e, é também, uma rua intensamente frequentada por muitas dos naturais da Freguesia de S. João, pelo facto de ser uma das artérias que conduz à Igreja Paroquial.

3.10.06

"Tesouros de Vizela"

S. Bento das Peras - 1919
S. Bento das Peras - 2004

É um dos locais mais venerados de Vizela e das suas gentes. Sobranceiro a Vizela e seu Padroeiro, S. Bento é também Padroeiro da Europa, sendo por isso um dos Santos mais venerados.
O local onde “resolveu” edificar a sua ermida na nossa região, não podia ser mais belo e é com muito carinho que todos os dias, milhares de peregrinos o vão visitar.No momento, por obra da Confraria que gere todo aquele espaço, decorre o abate de árvores grosseiras, que irão dar lugar a plantações de outras, estas nobres, que irão embelezar ainda mais aquele espaço. Que não seja esquecida a parte frontal, virada para o vale, com plantação de pequenos arbustos, para que a vista magnifica que dali se desfruta, não venha a ser ocultada


Ponte D. Luís I e Bairro Mourisco - 1920


Ponte de D. Luís I e Bairro Mourisco - 2004

Ponte D. Luís ou Ponte Nova, como é vulgarmente conhecida, sobre a antiga Estrada Real, hoje Nacional 106, com o chalé Villa Margarida e Bairro Mourisco ao fundo .
Note-se os muros em pedra e algum movimento para a época.
Como se pode ver, esta Ponte de um só arco esbatido, com 16 m de vão, toda em granito, é uma construção típica do Fontismo