2.10.06

"Tesouros de Vizela"


Parque das Termas - 1914 - Partida para uma regata



Parque das Termas - 2004

Partida para uma regata, organizada pelos hospedes do Hotel Sul – Americano.
Normalmente, estas regatas eram feitas até à Ilha dos Amores, seguidas de animados piqueniques, sendo muito procuradas por diversas personalidades que frequentavam as Termas de Vizela.
É conveniente recordar que, naquele tempo e até meados dos anos 70, antes da maldita poluição invadir o Rio Vizela, eram frequentes os passeios de barco, desde o Parque até à Ilha dos Amores.
Seria, certamente, uma mais valia para Vizela, caso fosse recuperada a possibilidade de estes passeios se voltarem a realizar (se a despoluição do Vizela, enfim, chegar um dia,???)



Rua Dr. Abílio Torres - 1915



Rua Dr. Abílio Torres - 2004

Importante e belíssimo aspecto da Rua Dr. Abílio Torres, com ricas e imponentes fachadas, ilustrando toda a beleza que Vizela outrora ostentava e que é urgente devolver, preservando e recuperando os edifícios que não se encontrem nas melhores condições, reabilitando-os.
À direita podemos ver o antigo Hotel Universal, assim como, em frente a este, o famoso Café Brasil, muito frequentado pelos banhistas, que naquele Hotel estiavam.

1.10.06

"Tesouros de Vizela"

Ponte Romana - 1913

Ponte Romana - 2004

Monumento Nacional desde 1910, pelo decreto-lei de 16.6.1910, publicado no Diário do Governo 136 de 23 de Junho de 1910, a Ponte Romana de Vizela, vulgo Ponte Velha, é o monumento mais emblemático de Vizela e o único considerado MN.
É uma ponte de tabuleiro quase horizontal, com duas rampas de acesso, assente em três arcos redondos desiguais. Tem contrafortes nos dois pilares entre os arcos. Os talha - mares são triangulares e os talhantes rectangulares. Num dos pilares, acima dos contrafortes, tem um olhal com um arco de volta redondo, para permitir o escoamento das águas por alturas das cheias. Tem guardas de granito e pavimento com grandes lajes de granito


Villa Margarida - 1913

Villa Margarida - 2004

É um dos mais belos palacetes de Vizela e, provavelmente, o mais admirado graças à sua localização.

Foi mandado construir nos finais do Século XIX, mais precisamente em 1893, pelo Dr., Alfredo Bravo, personagem proeminente e ilustre na (e da) história de Vizela.

Se repararmos, nesta mesma rua encontram-se outros palacetes da mesma época, alguns deles construídos um pouco antes (em 1872) e outros um pouco depois (1903) o que nos diz ser nesta época que devemos situar o enriquecimento de Vizela.

Voltando à Villa Margarida, não podemos deixar de nos sentir esmagados e desalentados, pelo seu aspecto confrangedor

30.9.06

"Tesouros de Vizela"










Ponte Nova ou Ponte D. Luís I - 1911

Conhecida como ponte Nova, por contraponto com a Ponte Romana, conhecida desde tempos ancestrais como Ponte Velha, esta Ponte sobre o Rio Vizela, a escassos metros do Parque das Termas e fazendo frente com este, chama-se na realidade Ponte D. Luís.

Toda em granito, esta ponte foi reformulada nos anos 40, depois do grande ciclone que destruiu parte do Parque das Termas.

Ponte Nova ou Ponte D. Luís I - 2004

Igreja de S. João das Caldas - 1912

Igreja de S. João das Caldas - 2004

Porque a anterior Igreja - que se encontrava neste mesmo local e que tinha sido trasladada em 1725, do Lugar do Paço - se achava pequena, principalmente na época balnear, foi decidido construir a actual, construção essa que teve início por volta de 1902, estando totalmente concluída, nos finais de 1908.
Da primitiva Igreja chegam-nos ecos de escritos antigos referindo que possuis 4 altares: Altar-Mor e mais três dedicados à Senhora do Rosário, Senhora das Dores e Senhora do Carmo.
Na actual e após as obras de restauro, beneficiação e ampliação (o que veio dar muito mais conforto aos fieis que todos os Domingos enchem este templo) nunca é demais referir o seu riquíssimo Altar-mor, com retábulo em talha dourada, com anjos ladeando o trono central.

29.9.06

"Tesouros de Vizela"Edifício Torres Soares - 1910
Edifício Torres Soares - 2004

É um dos mais belos edifícios de Vizela. Foi moradia e consultório médico do Dr. Abílio Torres, figura ilustre e marcante da vida de Vizela. A ele se devem as maiores iniciativas a nível cultural e de engrandecimento de Vizela. Com efeito, o seu nome está ligado a inúmeros eventos e realizações de Vizela, como os Bombeiros Voluntários, Filarmónica, Termas, escolas e muitas outras obras de muito interesse para a rica história de Vizela. Os nossos pais não o esqueceram e, muito justamente, deram o seu nome a uma das mais importantes ruas de Vizela.
Que o seu nome perdure na história da nossa terra…
Hotel Sul - Americano - 1910
Hotel Sul - Americano - 2004

Foi mandado construir por José Pinto de Sousa e Castro, (filho de Joaquim Pinto de Sousa e Castro, grande benemérito vizelense, que empresta o seu nome a uma das ruas de Vizela, a Rua Joaquim Pinto), tendo sido inaugurado em 1903. Era um dos mais majestosos hotéis da altura e o único, dos muitos que Vizela tinha, que possuía luz eléctrica.
Esteve na posse da família Sousa e Castro até meados de 1949, passando então para a administração da Companhia de Banhos, ficando a família Sousa e Castro como accionista da Empresa Termal de Vizela.
É no momento considerado Hotel de três estrelas, o que lhe transmite um estatuto de invejável valor, sendo muito apreciado o facto (durante o Euro 2004 foi muito comentado por vários jornalistas e adeptos estrangeiros…) de as suas casas de banho estarem equipadas com água termal. No momento funciona ali um moderno e apresentável restaurante, que está aberto a toda a comunidade.

28.9.06

"Tesouros de Vizela"


Parque das Termas - 1910

Parque das Termas - 2004

Avenida principal do Parque das Termas ou Avenida das Tílias como então se chamava, vendo-se ao fundo o chafariz do Lago Pequeno

Intensamente frequentado por aquistas das termas e por gente que aqui se deslocava de toda a parte, o Parque das Termas oferecia uma vasta panóplia de arvores frondosas e robustas (o que ainda se mantêm apesar de tudo) como tílias, cedros, sequóias, carvalhos do norte (Quercus Ruber) de folhagem vigorosa, verde no verão e loira no inverno e outras famosas espécies, que proporcionam uma atmosfera de estranha, mas apetitosa frescura, nos dias de maior canícula.
Há necessidade de se olhar com outros olhos para este pulmão verde, o único da nossa terra e devolver-lhe o esplendor de outrora e a dignidade que merece.


Largo da Alameda – 1910

Praça da República - 2004

Aspecto do Largo da Alameda, outro dos nomes que a Praça da República de hoje, usou ao longo da sua longa história. Note-se o tipo de iluminação, com candeeiro de bela traça.
Foi neste sítio da Alameda ou Lameira, (outro dos nomes que ostentou e pelo qual ainda hoje é, vulgarmente, conhecida) que se encontraram duas lápides dedicadas Bormanicus, o Deus das Águas Cálidas
A primeira nos finais do século XVIII e a segunda, em 1841.

Além destas duas Epígrafes, outros achados mais recentes (que não foram devidamente divulgados), mostram-nos todo o esplendor da Vizela de outros tempos.

27.9.06

"Tesouros de Vizela"

Igreja de S. Miguel - 1908


Igreja de S. Miguel - 2004

Igreja Matriz de uma das mais antigas paróquias do Arcebispado de Braga, pois no Concílio de Lugo, no ano de 569, no tempo dos Suevos, reinado do Rei Teodomiro, é uma das freguesias que se menciona como sendo da jurisdição de Braga.

É justamente considerada Imóvel de Interesse Concelhio (IIC), o que obriga à sua protecção por parte dos poderes autárquicos.

O seu interior é composto por vários altares em talha barroca, sendo um deles dedicados à Nossa Senhora das Candeias e um outro a Santa Teresa.
Por se achar pequena, foi reformada em 1727 e, mais tarde, em 1765, pela mesma razão, foi o seu corpo principal aumentado e transformado.



Praça do Mercado - 1909


Praça da República - 2004

No centro da cidade, teve ao longo da sua história os mais diversos nomes, Praça do Mercado, Largo Franco Castelo Branco ou somente João Franco, Largo da Lameira, Largo da Alameda e o actual Praça da Republica. Ali apareceram os primeiros banhos termais e no subsolo parte um túnel, que conduz as águas termais até à Companhia de Banhos.

25.9.06

"Tesouros de Vizela"
Bairro Mourisco - 1905

Bairro Mourisco - 2004

Actual Rua Dr. Armindo Freitas Ribeiro de Faria; esta rua caracteriza-se por possuir alguns dos mais belos palacetes de Vizela, quer de um, quer de outro lado da rua, construídos quase todos nos finais do Século XIX, logo após o nascimento da Vizela moderna. Nobres famílias, aproveitando os benefícios que as águas termais prodigalizavam, iam-se instalando e construindo em Vizela.
São desta época, algumas das mais belas casas que aqui se construíram e a permanência desta gente nobre deu a Vizela um estatuto que muita inveja provocou um pouco por toda a parte, a ponto de haver uma quase perseguição a tudo quanto fosse daqui oriundo.
Perseguição essa que durou até quase a dobragem do milénio…

Estação da CP 1906

Estação da CP - 2004

Esta Estação da CP, foi inaugurada em 31 de Dezembro de 1883, aquando da abertura da “secção da linha – férrea de Guimarães, da Trofa a Vizella”, conforme nos dá conta Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno, publicado em 1890.
Como curiosidade recordemos que Vizela foi terminal de linha durante 114 dias, uma vez que o Caminho-de-ferro só chegou a Guimarães em Abril de 1884.
Reformada em 1932, esta estação foi premiada inúmeras vezes pelo desvelo e carinho com que os seus jardins eram tratados, em flagrante contraste com os tempos de agora, em que o desleixo e o abandono parecem ser imagem da marca da CP (ou REFER), um pouco por toda a rede ferroviária.

24.9.06

“Tesouros de Vizela”

Numa louvável iniciativa, para assinalar o Dia Mundial do Turismo, os Serviços de Turismo da Câmara Municipal de Vizela, em colaboração com a Fundação Jorge Antunes, vão organizar a exposição “Tesouros de Vizela”. Constituída por uma série de fotografias antigas e actuais dos pontos mais característicos de Vizela, esta iniciativa se bem que louvável, peca por repetida o que denota, provavelmente, alguma falta de imaginação dos responsáveis. Com efeito, não obstante defender que nos devemos orgulhar do passado, corremos o risco de se pensar que não possuímos presente e muito menos…futuro.

Apenas para recordar: a primeira vez que se fez uma exposição deste tipo foi em 1983, com cerca de 100 fotografias antigas (partir de postais antigos) e outras tantas actuais, exposição levada a cabo pelo autor deste blogue, exposição essa que foi repetida 2 anos depois, a pedido de muita gente e porque se vivia em Vizela uma época de exaltação bairrista. Alguns anos depois, em 1994 e desta vez, porque se achou que era altura da Secção de Fotografia da Casa do Povo de Vizela mostrar um trabalho deste tipo, foi feita nova exposição, com novas fotos (entretanto já tinha comprado mais postais antigos…).

Em 2004,a pedido Comissão de Festas foi feita nova exposição, que esteve patente no Jardim Manuel Faria, durante os dias das Festas 2004.

Como a anunciada exposição (a julgar pelos anos anteriores) só estará patente um único dia, permito-me levar aos visitantes deste blogue a totalidade da exposição acima referida
.

Rua Joaquim Pinto – 1901

Rua Joaquim Pinto - 2004

Com casario construído nos finais do século 19, esta rua foi feita em terrenos de Joaquim Pinto de Sousa e Castro, proprietário benemérito que doou também o terreno para a Escola de S. João, construída no ano de 1888, depois de autorizada pelo governo em 1886 (contra a vontade da Câmara de Guimarães…).Para ajudar à construção dessa escola foi criada em 1886 uma comissão composta pelos Srs. Dr. Abílio Torres, Dr. Forbes de Almeida, António Tavares Basto, António Xavier da Silva Coutinho e Joaquim Pinto de Sousa e Castro, que entre muitas outras iniciativas de angariação de fundos, organizou uma matiné musical. No ano seguinte, a mesma comissão promoveu um grande bazar de prendas no parque. Com o produto destas vendas e outros donativos, foi-se construindo o edifício escolar que chegou aos nossos dias

Rua Dr. Abílio Torres – 1904

Rua Dr. Abílio Torres - 2004

No sentido Norte Sul, a Rua Dr. Abílio Torres apresenta-nos um belo conjunto de casa construídas nos finais do Século XIX, sendo visíveis, à esquerda, em primeiro plano, as portas do quartel dos Bombeiros Voluntários de Vizela, onde presentemente se situa o Banco Millenium BCP. Visíveis ainda algumas moradias de fino recorte e bela traça, o que faz desta rua um autêntico museu que urge tratar e preservar.

22.9.06

63/98. A Lei...

Extracto de um artigo, publicado pelo autor deste Blog, em 7 de Setembro de 1998, no Noticias de Vizela

Como se esperava, foi confirmada, com a publicação em Diário da Republica de 1 de Setembro, Lei 63/98, a criação do concelho de Vizela e elevação a cidade.

Concretizada, por fim, a melhor prenda que os Vizelenses há tanto tempo ansiavam e que começou a ser desenhada em 1982, com todo o povo do Vale de Vizela a exigir, na rua, o fim do cativeiro.

Não vou aqui e agora, repisar aquilo que já disse tantas e tantas vezes, quer nas páginas deste jornal, quer em conversas de café ou entre amigos da minha confiança, nem tão pouco vou dividir os Vizelenses em santos e vilões (como agora parece que se está a querer fazer...).Para mim todos, repito, todos foram úteis, quer no passado, quer no presente e, mais úteis serão no futuro, se soubermos esquecer diferenças, dar as mãos e escolher de entre todos nós, os mais capazes, os mais empenhados, os mais competentes e os mais interessados em engrandecer TODO o município e seus habitantes, conseguindo mais valias, que fomentem o bem – estar de TODA a população do novo concelho, nas suas variadíssimas vertentes.

Da Lei 63/98, no seu artigo 4, competências da comissão instaladora, gostaria de respingar o ponto 1, que julgo ser de extrema importância para o enriquecimento do nosso concelho. “ (...) elaborar um relatório donde constem (...) a descriminação dos bens, universalidades (generalidade, totalidade) e quaisquer direitos (...) que se transferem para o município de Vizela.
È a partir daqui que a Comissão Instaladora, (hoje Câmara Municipal) deverá estar atenta e usar das competências que a lei lhe consagra, para que todas estas prerrogativas sejam cumpridas.
Não nos podemos esquecer de um sem número de bens e universalidades, nomeadamente de Vizela (S. Miguel e S. João), que foram sonegados ao longo dos tempos e que fazem parte do nosso património colectivo, assim como não podem ser esquecidos aqueles que, a pretexto de um hipotético conserto, (no tempo em que era vereador da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, o Sr. Dr. Francisco Teixeira) foram “ transferidos” (como adorno de gabinetes?) para a Câmara de Guimarães. Refiro-me aos quadros de Júlio Resende, Goya, Dali, Rembrandt e fundamentalmente, os quadros com motivos religiosos, “ Ronda do Mártir”; Procissão de S. Sebastião”; “Sagrado Viático”; “Saimento” e “Enterro dum Pobre” da autoria de António Alves Teixeira, “O Vizela”, pintor do século XIX (1836-1863), que foi discípulo de João Correia
.

Júlio César Ferreira
7.9.98

20.9.06

S. Bento das Peras

É o mais importante miradoiro de Vizela.

No cimo do monte granítico, rodeado de penedos esbranquiçados, que os seus fieis devotos vão pintando ao longo do ano, para pagamento das suas promessas, estão duas ermidas dedicadas ao Padroeiro de Vizela e da Europa. A magnífica paisagem que se estende a seus pés, compreende a cidade de Vizela e as freguesia circunvizinhas, mas a vista espraia-se até áte alcançar o mar, em dias de melhor visibilidade.
Recentemente, por iniciativa da Confraria que rege o local, foram ali realizadas importantes obras de reabilitação que, presume-se, estão ainda na sua primeira fase. De facto, as obras previstas para o local irão arrastar-se no tempo, uma vez que estão divididas em várias etapas.

É dessas alterações as fotos que hoje levo aos visitantes deste blogue, com convites para visitarem "in loco" este magnífico espaço




18.9.06

S. João das Caldas

É, como já se disse, uma freguesia cuja fundação se
perde na bruma dos tempos, confirmam-no vários estudiosos que nos garantem que o seu nome deriva do germânico “Gomila”, senda muito provavelmente a partir do século V a “ Villa de Gumilanis”.
Contudo, numa fase posterior, surge já identificada como S. João Baptista das Caldas de Vizela. Em 1188, segundo o Livro de Doações, D. Sancho doou a um nobre chamado «vobis Johannis de Caldes» “um reguengo que a coroa tinha abaixo de S. Miguel das Caldas”.
Nas Inquirições de 1220, a freguesia era referida como “ Parochia de Sanctis Johannis de Caldes.

Até 1553 foi abadia de apresentação do D. Prior da Colegiada de Guimarães, tendo passado para a coroa por doação que o Prior D. Gomes Afonso fez à Infanta D. Isabel, em reconhecimento dos bons serviços que esta lhe havia prestado, especia
lmente a sua nomeação.

É limitada a norte pela freguesia de S. Miguel das Caldas; a sul por Santa Eulália de Vizela, a nascente por Santo Adrião de Vizela, e a poente pelas freguesias de Vilarinho e Moreira de Cónegos.

A Igreja Paroquial, que tem como Orago S. João Baptista, foi construída entre 1904 e 1096, em substituição, no mesmo local, da anterior que se achava pequena, principalmente na época balnear.

Esta pequenina igreja tinha 4 altares: Altar – Mor e mais três dedicados à Senhora do Rosário, Senhora das Dores e Coração de Maria.
Tal como a antiga Igreja de S. Miguel, a Igreja de S. João da época Joanina , D. João V, era uma igreja muito muito pequena e tinha sustituido uma outra que ficaria na margem Sul do rio Vizela.
A Igreja era recuada em relação à actual e à frente ficava o cemitério. Na altura da sua construção não existia ainda a Estrada Real, actual Rua Dr. Abílio Torres, inaugurada em 1872.


São desta pequenina igreja as fotos que aqui publico, cedidas gentilmente pelo Sr. Engenheiro Adelino Campante, meu particular e querido amigo, fotos essas que lhes foram legadas pelas seus antepassados.

16.9.06

Ainda e sempre...o Rio Vizela

Parente pobre da Associação de Municípios do Vale do Ave, o Vale do Vizela, banhado por esse rio lindo que lhe deu o nome, não pode, nem deve ficar à mercê de obras do acaso e feitas em cima do joelho e o poder reivindicativo dos povos desta Região tem de se fazer sentir.
É que, afinal, os milhões que irão ser gastos, não são propriedade de qualquer entidade que investe segundo as suas preferências, gostos e/ou interesses, mas sim dinheiro de todos nós, dos impostos que pagamos, para um determinado projecto que deverá ter a supervisão do Estado, através (neste caso) do Ministério do Ambiente.
Vizela, o Vale do Vizela, o Rio Vizela, já esperou demasiado tempo e urge dar rápida solução a um problema que se agrava dia a dia, com as inevitáveis e nefastas consequências para o ambiente e para o bem – estar de todo um povo, que elegeu o Vale do Vizela para viver.
Aquele trabalho a que se faz referência no post anterior, foi sem sombra de dúvidas um apelo dramático, no sentido de acabar com a agonia lenta de um curso de água, que a incúria, o desleixo, o desinteresse e a ganância do homem, transformou em rio de morte, como o atestam muitos dos registos deixados no livro da exposição e que me permito transcrever alguns deles: “ Maravilhosa exposição de alto interesse cultural e ecológico (...) ” (...) documento histórico para a posteridade (...) Como Fausto celebrando Fernão Mendes Pinto, assim celebro esta “Peregrinação” pelas margens de um rio (rio ainda nas fotografias mas já não no que de um rio se pode tirar - peixes, agua, banhos, bem-estar, pois debaixo de Ponte Velha, é apenas um esgoto grande). Belo, porque o tornas belo; pitoresco porque o procuras e descobres pitoresco; louvável porque o louvas em cada imagem que crias” (Vizela; Agosto de 91) “ (...) uma obra artística no sentido de exaltar a beleza que há no rio (...) uma obra de investigação sobre a vida do Vizela, de Gontim ao Ave (...) um hino à natureza, um aprofundamento do contraste entre a limpidez e a poluição” (Fafe; Fevereiro de 92) “ Na altura em que se vai tornando insuportável o “crime” que todos os dias se comete contra o Vizela (...) constitui um redescobrir da beleza do natural e da amplitude desse “crime” (...) beleza impar e fealdade lado a lado (...) não se parece com a realidade, actualmente (aqui) não é um rio, mas sim um esgoto (Vila das Aves; Abril de 92) “ Tu eras dantes Vizela/Rio de luz, tão sereno.../ De margem ridente e bela/Rio grande e tão pequeno” (...) a ecologia ganha significado com este trabalho (...) ainda bem que há gente que se preocupa com estas coisas” (Guimarães; Maio de 92)

Que estas mensagens, registadas no livro da Exposição Rio Vizela, da Nascente à Foz, entre Agosto de 1991 e Maio de 1992, sejam um grito de alerta para todos quantos têm o dever de manter o nosso rio limpo e um sinal que estaremos atentos e vigilantes, para que tudo possa ser feito, no sentido de devolver ao Vizela (e a outros rios...) todo o esplendor de outrora .

15.9.06

Ainda e sempre... o Rio Vizela

Quando, nos princípios da Primavera de 1990, um grupo de Vizelenses, partiu ao encontro e à descoberta do Rio Vizela, desde as Serras de Fafe, até ao Ave, fotografando e registando em documento vídeo, toda e beleza e encanto que o Vizela nos presenteia, nomeadamente e principalmente, desde Gontim (onde nasce, no Alto de Morgaír, a 890 metros acima do nível do mar) até à cidade de Fafe, encontro esse que deu origem a exposições fotográficas várias – vistas por cerca de 25.000 pessoas, em Vizela, Fafe, Vila das Aves, Guimarães, Vieira do Minho e novamente Vizela, todos nos convencemos que a poluição que encontramos, logo a partir de Golães, estaria (face ás noticias que nos chegavam) debelada em pouco tempo, para bem do rio, dos peixes, da água, da beleza paisagística, das populações ribeirinhas, de todos nós, do mundo afinal...
É que, estava já em fase relativamente avançada o projecto de despoluição do Ave e dos seus afluentes, Vizela, Pele, Pelhe, Selho e outros (muitos) pequenos ribeiros, que desaguam, quer no Ave, quer no Vizela, que é o seu maior afluente.

Pomposamente baptizado de SIDVA (Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave) tinha como ponto de partida, toda a despoluição dos rios Ave e Vizela e apontava como meta da sua conclusão o ano de 1996, como garantia o Dr. Parcidio Sumavielle, então Presidente da Câmara Municipal de Fafe, aquando da Exposição Fotográfica “ Rio Vizela, da Nascente à Foz”, naquela cidade.
Conscientes que todo aquele trabalho era um “bofetada” na passividade até então verificada, ingenuamente acreditávamos e antevíamos já, uns passeios de barco até à Ilha dos Amores e uns mergulhos na Cascalheira, com farnel para lanche nas margens verdejantes...
Porem e como em tudo neste País, os dias, os meses e os anos foram passando e as dezenas, centenas, milhares e milhões de contos, foram engrossando. Engrossando paredes de cimento armado em ETAR’S, com motores de arranque enfraquecidos e em interceptores gigantescos, que andam a passo de lesma e; mesmo assim, sempre e só, para as “bandas de lá”...

Finalmente, quebrada (?) má vontade e o enguiço que o nome de Vizela provocava nas engrenagens do SIDVA, parece que a almejada despoluição do Vizela vem a caminho (mais vale tarde que nunca...), sendo possível que no primeiro quartel do próximo século, os passeios de barco, os banhos, a frescura das margens, os peixes (vivos), deixem de ser somente o anseio sonhado em 1990.

Isto, se os milhões de contos (fala-se em 80 milhões para a ultima fase!) entretanto injectados no projecto não se perderem em outras aguas, tão sujas e negras como as aguas do Vizela...

14.9.06

Santa Maria de Infias

Situada a escassos quilómetros do centro da cidade de Vizela, sede do concelho ao qual pertence, Santa Maria de Infias é confrontada a nascente por S. Cipriano de Taboadelo, a sul por S. Miguel da Caldas, a oeste ou poente por S. Martinho do Conde e a norte por S. Pedro de Polvoreira.

Segundo o Inquérito Paroquial realizado em 1842, pelo Padre da Freguesia, Manuel Gonçalves de Sousa, este freguesia pouco tinha de assinalável naquela época, chegando o dito pároco a afirmar que: “Não há monumentos ou antiguidades, inscrições ou letreiros existentes ou destruídos, não há notícia de quando esta freguesia teve principio, os usos e costumes. Antes de 1834, os religiosos dos Remédios de Braga eram que apresentavam esta igreja e comiam as dízimas e primícias e davam ao pároco de côngrua 33$000 réis em dinheiro, duas rasas de trigo, catorze de centeio e dezasseis almudes de vinho verde e os fregueses davam as ofertas. Os casados cem alqueires de milho alvo e os viúvos, viúvas e solteiros meio alqueire.”

Não é, convenhamos uma leitura muito simpática daquele tempo, mas convém não esquecer que, muitas vezes, já que estes Inquéritos eram respondidos pelos párocos das respectivas freguesias, dependiam em muito, não só da boa vontade, da disposição, do saber e do interesse do próprio prelado.

Porém, a realidade não é bem assim. Santa Maria de Infias, como nos diz Júlio damas, no seu “Ad Perpetuam”: “ A terra das Caldas de Riba-Vizela, compreendendo pelo menos as freguesias de S. João, S. Miguel das caldas e Santa Maria de Infias, formou na segunda época da monarquia portuguesa um concelho ou julgado independente, com justiças privativas (...)”

A freguesia de Santa Maria de Infias, é muito rica em tradições sendo a da Confraria do Senhor das Chagas, uma das mais interessantes, e que tem muitos séculos de existência.Segundo reza lenda, a imagem do Senhor das Chagas, tem vestígios duma outra que, há muitos séculos, foi mandada esculpir por um cruzado, afim de lhe colocar uma coroa de espinhos que tinha encontrado no deserto quando regressava da Terra Santa e que pensou ser do Nosso Senhor.
De regresso à sua terra, a coroa foi colocada sobre a imagem que o cruzado mandou esculpir e todos os anos, no dia três de Maio, o sangue gotejava das feridas provocadas pelos espinhos. Isso incutiu no povo de então uma fé inquebrantável, que começaram a fazer uma procissão de penitência que, a partir de 1920, começou a dirigir-se para a Capela de Santa Ana, no Monte de Alijó.